Para garantir a diversão e a tranquilidade durante a programação de férias, pais e responsáveis devem redobrar a atenção e seguir alguns cuidados básicos. Presidente da Associação Férias Vivas, Silvia Basile ressalta que as causas mais frequentes de acidentes não se referem a acidentes imprevisíveis e incontroláveis:
— Surpreendentemente, derivam de perigos comuns, com os quais convivemos diariamente e que poderiam ser evitados, bastantao atenção e providências simples.

Uma simples ida à praia, por exemplo, pode, na verdade, representar vários riscos para a garotada, além, claro, do perigo do mar. Antes de deixar a garotda entrar na água, o responsábel deve verificar se há avisos sobre as condições de banho. As prefeituras das localidades costumam sinalizar com placas, indicando se o mar está poluído e, portanto, impróprio para banho, devido a dejetos de esgotos, vazamento de produtos químicos etc. Vale o mesmo com relação ao movimento do mar: o aviso de “Mar Perigoso” deve ser respeitado.

— Ensine as crianças a observar as ondas e o movimento de quem já está no mar: se os banhistas permanecem tranquilos em suas brincadeiras, se as ondas não os derrubam; se há indicações de buracos; se o nado é viável; se há presença de salva-vidas — ressalta Silvia.

Também deve-se observar, cuidadosamente, se há embarcações próximas à praia, como lanchas, escunas, jangadas ou jet sky. Em caso positivo, é recomendável não ficar na água, aconselha a presidente da Férias Vivas, lembrando que há normas da Capitania dos Portos que regulam a distância em que essas embarcações podem transitar, mas nem sempre são respeitadas.

Os pais e responsáveis devem advertir as crianças a não beber água do mar ou banhar-se próximo à saída de rios, córregos e canais: nesses pontos, se concentram a sujeita trazida pela chuva e esgotos e também bactérias, parasitas e vírus causadores de doenças, sendo a mais comum a gastrenterite, que provoca disenteria, cólica, enjoo, vômito, febre e dor de cabeça, além de desidratação.

E lembre-se: o uso de protetor solar, de fator (FPS) 30 ou maior, deve ser reaplicado regularmente a cada duas horas e sempre que saírem da água. O procedimento deve ser seguido mesmo em dias nublados: os raios solares perigosos atravessam as nuvens e a neblina.

Outro ponto importante de atenção, alerta Silvia: praia e chuva não combinam! A água do mar e os espaços abertos, como a faixa de areia, são ótimos para atrair raios. Por isso, aconselha, em dias de temporal, deve-se ficar longe da praia.

Quanto às piscinas, é importante que país e responsáveis verifiquem sempre a profundidade da piscina e avaliem se “dá pé”, além, claro, de exigir sempre a presença de salva-vidas. É importante ter consciência de que algumas aulas de natação ou o nado “cachorrinho” não asseguram que a criança possa ficar sozinha. Nunca deve-se deixar as crianças brincando na piscina sem um responsável por perto.

Outra dica importante, segundo Silvia, é prender os cabelos compridos da criança em “coque” ou utilizar um touca de natação, pois há perigo de sucção pelo ralo ou pela saída de água da hidromassagem:

— Não resolve prendê-los como “rabo de cavalo”, que pode ser sugado. Piscinas com ralo de tampa anti-aprisionamento não apresentam esse risco, porém não são todos estabelecimentos que a possuem, apesar de seu baixo investimento e fácil instalação — reforça.

De olho vivo nos pequenos

A presidente da Associação Férias Vivas chama especial atenção ao risco de as crianças se perderem no agito das atividades de férias:

— As crianças não param um segundo, por isso é importante a vigilância constante. Como precaução, oriente as crianças maiores a decorarem o nome completo dos pais, endereço e telefone. Procure colocar uma identificação nas crianças menores, com nome, endereço e telefone, como um crachá, que pode ficar pendurado numa correntinha, no pescoço. Cole etiquetas na roupa e nos pertences das crianças com os seus dados.

Vale ainda estabelecer pontos de referência fixos, em terra, como prédios, quiosques, placas, estátuas, chamativos e suficientemente grandes para serem vistos mesmo de longe. E, para o caso de se perderem, o adulto deve ficar um ponto de encontro, como o posto de salva-vidas ou uma barraca de venda de bebidas.

Via: globo